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domingo, 30 de dezembro de 2012

Como será a Internet daqui a 10 anos?


A Internet está em constante evolução, com redes cada vez mais velozes e presentes em muitos aparelhos. Assim, fica o questionamento: como será a grande rede daqui a 10 anos? O TechTudo fez um exercício de imaginação e pensou como será a Internet no futuro, considerando todas as novidades atuais e os rumores. Para quem acha que já vivemos num mundo hiperconetado, avisamos: é só o começo.
No futuro, a web será mais rápida, barata e automática. Ela vai acompanhá-lo ao longo do dia, no smartphone, tablet ou até nos seus óculos, dando pitacos sobre tudo: o restaurante que você vai almoçar, qual o melhor caminho para chegar ao metrô, onde os seus amigos vão sair à noite. Outra coisa: esqueça que Internet é coisa de computador. Em 2022, ele será apenas um dos objetos conectados à rede, e não necessariamente o mais usado para esse fim.
Cenas do vídeo "A Day Made of Glass", que imagina um futuro onde todos os objetos terão funções eletrônicas. (Foto: TechTudo/Giordano Tronco)Cenas do vídeo "A Day Made of Glass", que imagina um futuro onde todos os objetos terão funções eletrônicas. (Foto: TechTudo/Giordano Tronco)
A Internet das coisas
Já pensou em ter um carro que comunica o fabricante em caso de defeito? Ou uma geladeira que faz a lista de compras da semana e indica o preço? Não duvide que tudo isso existirá nos próximos anos. A Internet vai ser cada vez menos ligada aos computadores e mais a objetos do cotidiano.
Essa conexão dos objetos à Internet tem um nome meio feio, mas que faz sentido: “Internet das Coisas”. As “coisas” – sejam elas aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos ou veículos como carros e motos – poderão se conectar para oferecer serviços que tenham a ver com as suas funções. Isso não quer dizer que você poderá usar o microondas para navegar na web ou jogar SongPop, mas sim que os objetos vão oferecer serviços online complementares, normalmente de modo automático. Um carro, por exemplo, pode avisá-lo quais as rotas menos engarrafadas ou se ocorreu algum acidente ao longo do trajeto no qual você está dirigindo.
A toda hora, em todo lugar
A revista de tecnologia americana Wired publicou uma matéria em 2010 em que anunciava a morte da web. Estranho? Mais ou menos. Apesar de muitas vezes usadas como sinônimos, Internet e web não são a mesma coisa. Todas as página da Internet construídas em HTML – como a página do TechTudo, por exemplo – são consideradas “web”, mas os aplicativos para smartphones e tablets, não.
Óculos Google Glass conta com câmera e conexão à internet (Foto: Divulgação)Óculos Google Glass conta com câmera e conexão
à Internet (Foto: Divulgação)
A declaração da revista é exagerada, mas evidencia uma tendência: a Internet está cada vez mais móvel e imediata. As pessoas não a utilizam somente para navegação, mas sim para ações rápidas e pontuais – como ler mensagens, conversar com amigos ou ouvir música. E, para isso, a base são os aplicativos. Segundo o artigo da Wired, o uso dos apps cresce por se acomodar melhor à vida prática, pois eles fazem a informação ir até as pessoas, e não o contrário.
A tendência é que a Internet se torne cada vez mais móvel, prática, automática e social. Os aplicativos não mais esperarão uma ordem para serem ativados, principalmente aqueles que usam o sistema de geolocalização e que interagem com redes sociais. Ao entrar em um restaurante, por exemplo, o seu celular exibirá automaticamente a lista de todos os seus amigos que já passaram por lá e irá adicionar você também nesta lista.
Uma experiência interessante nesse sentido é o Google Glass, óculos da Google com um display digital na lente. O aparelho, entre outras coisas, calcula rotas para o usuário e informa automaticamente sobre novas mensagens de amigos e sobre a previsão do tempo. A invenção causou furor, mas ainda não tem data de lançamento. Enquanto isso, dá para assistir ao vídeo promocional do produto e imaginar como será a vida daqui a alguns anos, com a Internet bem na "sua cara". 
Quem utilizava a Internet nos anos 90 e no começo dos anos 2000 lembra do traumático barulho do modem ao tentar conectar-se à linha discada. Os usuários pagavam um valor alto por minuto para ter acesso a uma conexão de velocidade hoje risível. Nos anos 2000, houve a popularização da banda larga. Mais para o fim da década, a conexão 3G fez a Internet sair do desktop e invadir os celulares. Ainda mais veloz, a conexão 4G estará disponível em todas as cidades-sede da Copa do Mundo do Brasil até 2014.
Até onde é possível expandir a velocidade da rede? Segundo o professor de Comunicação da PUC-RS, Eduardo Pellanda, em dez anos poderemos ter a sexta geração consolidada, mas ele não garante que haja necessidade para tanto. “Talvez a velocidade seja tão grande que não será necessária tal evolução”, opina.
Mas não é preciso ir tão longe para ver como a velocidade da rede está aumentando. Um projeto que está sendo implantado pelo Google, chamado de Fiber, garante Internet com velocidade 100 vezes maior que a atual, algo que já foi comprovado por usuários. É o futuro bem na nossa frente.
No Brasil, 3.075 dos 5,5 mil municípios têm disponibilidade de conexão 3G e cerca de metade da população tem acesso à Internet. Em comparação com o total da população, há poucos brasileiros conectados, mas isso está para mudar: o avanço da tecnologia de conexão na próxima década terá como consequência a redução do preço para o consumidor, possibilitando que mais pessoas possam pagar pelo acesso. Quando mais pessoas pagam pelo serviço, mais caem os preços. Demanda e avanço tecnológico criam uma pressão dupla no barateamento dos serviços, o que também influencia positivamente o consumo, originando um círculo virtuoso.
Tudo é nuvem
Já notou quantas coisas você guarda na Internet e não no disco rígido? Olhe o caso das fotos, por exemplo: muitas pessoas atualmente publicam suas fotografias em redes sociais e não guardam cópias no HD. A tendência é que, quanto mais rápida e segura se tornar a conexão, mais arquivos iremos guardar nos servidores online ou na chamada “nuvem”.
Pensando nisso, o Google desenvolveu um sistema operacional, o Chrome OS, feito somente para navegação online. Não dá para instalar softwares, games ou aplicativos: tudo o que o usuário deseja deve ser encontrado via Internet. Isso libera a memória do computador para dedicar-se somente a uma tarefa, tornando-o mais ágil, além de garantir uma inicialização de sistema muito rápida.
Será o fim dos pendrives e HDs? Segundo o professor de Comunicação da PUCRS, André Pase, não é para tanto. “As pessoas não vão guardar nada na nuvem se eles não confiarem nas conexões. E não vamos esquecer que a ‘nuvem’, apesar de muita gente não pensar assim, também existe fisicamente em algum lugar. O que vai ser guardado lá depende do valor que se dá ao objeto.” Ou seja: arquivos muito importantes ainda serão salvos na memória do computador – ou smartphone, ou tablet, ou seja lá o que for inventado até 2022.
Crescimento da demanda torna preço da internet e hardware acessíveis (Foto: Reprodução/Apple iBooks)Crescimento torna preço da Internet e hardware
acessíveis (Foto: Reprodução/Apple iBooks)
Mais um detalhe: quanto mais veloz a conexão, maior a complexidade dos programas que poderão ser executados diretamente da rede, via streaming, sem instalação prévia no computador. Se antigamente as páginas com games em Flash demoravam uma eternidade para carregar, e hoje jogar games no Facebook é algo trivial, o futuro aponta para o fim da necessidade de instalação dos games, quaisquer que sejam. Com o aumento da capacidade de transmissão de dados, é possível que as empresas de software não mais cobrem a venda dos programas em mídia física, nem mesmo o download do arquivo de instalação, mas sim o acesso à página de streaming do software. O usuário poderá executar o programa online, em qualquer computador ou aparelho mobile.
Quem domina o jogo
Facebook, Google, Apple ou uma nova empresa? Quem dará as cartas daqui a uma década? O Google aumenta seu leque de serviços gratuitos a cada dia, expandindo sua área de influência. O Facebook já é a maior rede social do mundo e agrega cada vez mais conteúdo. A Apple tem o iTunes e desenvolve alguns dos hardwares que dá suporte aos aplicativos que tanto usamos. No futuro, é possível que apenas uma gigante detenha a hegemonia da Internet?
Os professores de Comunicação da PUC-RS, Eduardo Pellanda e André Pase, acham isso improvável. Para eles, a disputa ficará sempre entre três ou quatro empresas, mas não necessariamente entre as gigantes do presente. “É impossível ter domínio total. O Google tem uma boa nuvem, mas não tem hardware, já a Apple tem bom hardware mas não tem nuvem. Ninguém é cem por cento bom em tudo”, opina Pellanda.
“Quando se acumula poder num luga, algo novo surge. É um ciclo da rede”, analisa Pase. Nem mesmo o todo-poderoso Facebook terá total influência sobre os usuário de redes sociais. Pase ainda afirma que sempre haverá espaço para a formação de redes com apelo menos geral, mas que terão seu público garantido. “Haverá a rede social concentrada, mas também vai ter as de nicho, sobre outras coisas”, afirma o professor. 
globo/techtudo

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