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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Crise atinge em cheio a BBC no Reino Unido


BBC
A BBC controla todo o serviço de rádio, TV e internet do Reino Unido
Diretora de Jornalismo da British Broadcasting Corporation (BBC), Helen Boaden e seu vice, Steve Mitchell, pediram demissão nesta segunda-feira após o escândalo provocado por uma reportagem que fazia uma acusação falsa de abuso sexual contra um político do País de Gales. Boaden e Mitchell pediram afastamento dois dias depois de o diretor-geral da emissora, George Entwistle, ter pedido demissão para responder judicialmente contra as acusações da reportagem.
A notícia foi veiculada em um programa de jornalismo investigativo em horário nobre, no último dia 2. Um homem disse que foi abusado por uma figura do Partido Conservador britânico, sem citar o nome do político. ABBC não deu o nome do suposto criminoso, mas boatos difundidos na internet davam conta de que se tratava do ex-integrante da Casa dos Lordes Alistair McAlpine, que fez parte do governo de Margaret Thatcher entre 1977 e1990. A emissora vem com a confiança e a credibilidade abaladas após o escândalo com o apresentador infantil Jim Savile, morto em 2011, que é acusado por centenas de pessoas de abuso sexual entre as décadas de 1970 e 1990.
Radical
No domingo, o presidente da Fundação BBC, Chris Patten, pediu que fosse feita uma reestruturação no canal e disse que a emissora deve ser recuperar rápido da crise ou então estará acabada.
– Se você me pergunta se a BBC precisa de uma reestruturação radical, eu digo que está e que é o que nós temos que fazer – afirmou.
Ele qualificou o jornalismo da emissora como de má qualidade e disse que a escolha do ex-diretor-geral sobre a reportagem foi um dos efeitos do corte de gasto dos programas.
– Entwistle foi derrubado por covardes e incompetentes – disse.
O presidente da Fundação disse esperar ter “em algumas semanas” um novo diretor-geral para o lugar de Entwistle. Tim Davie, atual diretor de áudio e música da emissora, exercerá o trabalho de forma provisória.
Modelo antigo
A BBC é uma emissora pública de rádio e televisão do Reino Unido fundada em 1922. O modelo é antigo, mas funciona. Embora possua ainda uma boa reputação nacional e internacional, é avaliada por analistas como parcial, tendenciando o liberalismo. Por vezes é chamada afetuosamente pelos ingleses como Beeb, The Corporation ou Auntie. Durante muitos anos foi o único transmissor de rádio e depois de televisão do Reino Unido. O seu lema é “Nation Shall Speak Peace Unto Nation” (Nação falará de paz à nação, na tradução livre). Antes era chamada de British Broadcasting Company Ltd., nome que permaneceu até 1927.
As operações da BBC são financiadas através da Licença de TV (TV Licence) que todo domicílio do Reino Unido com uma televisão que é usada para assistir programas ao vivo deve pagar. Em 2005 a licença foi de 126 libras (aproximadamente R$ 462,00 ou € 181,00). Com a renda da TV Licence, que chega perto dos 3 bilhões de libras, a BBC financia sua programação de TV, rádio e internet. Apesar de pública, a BBC não sofre ingerência do governo. É comandada por um grupo de 12 diretores (governors) não-executivos escolhidos pela Secretaria de Cultura, Mídia e Esportes e aprovados pela Rainha, que escolhem os diretores executivos e os rumos da empresa.
Nos últimos anos, a BBC tem sido alvo de críticas quanto ao seu conteúdo, que tem se baseado em fórmulas comuns às emissoras comerciais, como “reality shows” e programas popularescos. O departamento de jornalismo da emissora possui escritórios no mundo inteiro.
A cada cerca de 10 anos, o mandato real da BBC (Royal Charter), com o qual ela recebe o direito de arrecadar fundos com a população e de aplicar em conteúdo de rádio, TV e internet é renovado pelo Parlamento. Em 2005 e 2006, um novo mandato foi aprovado pelo Parlamento no qual mudanças foram sancionadas. Entre as mudanças sugeridas na minuta do mandato (Royal Charter White Paper) estavam: Maior independência entre os governos e a direção executiva; maior transparência no lançamento de novos serviços que podem prejudicar operações comerciais e maior foco em programas que criem valor público, ou seja, que informem, eduquem e entretenham, nos moldes da BBC. 
correiodobrasil.com

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