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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Colhedores de chá queimam vivo dono de fazenda na Índia


Mulheres transportam o chá colhido na região de Assam, em condições de extremo sacrifício para os trabalhadores
Mulheres transportam o chá colhido na região de Assam, em condições de extremo sacrifício para os trabalhadores
Um grupo de trabalhadores de uma plantação de chá ateou fogo ao proprietário da fazenda e à mulher dele, no noroeste da Índia, segundo relato de autoridades locais. Os trabalhadores incendiaram o bangalô em que o fazendeiro Mridul Kumar Bhattacharyya e a esposa, Rita, viviam, em Kunapathar, no Estado de Assam.
O incidente ocorreu na noite desta quarta-feira, após uma disputa de duas semanas entre os trabalhadores, que vivem em situação de muita dificuldade econômica, e a administração da fazenda. Segundo a polícia de Kunapathar, Bhattacharyya teria ordenado que alguns trabalhadores deixassem seus alojamentos na véspera do incidente. Em resposta, mais de 700 trabalhadores teriam cercado seu bangalô.
Meenakshi Sundaram, da polícia local, contou que dois carros do dono da fazenda também foram queimados. Três trabalhadores teriam sido detidos em conexão com o incidente.
Disputas
Há dois anos, o mesmo fazendeiro já havia enfrentado uma manifestação em outra propriedade, de acordo com autoridades indianas.
Na ocasião, trabalhadores teriam queimado sua fábrica de chá em Guwahati, perto da capital da província de Assam, depois que Bhattacharyya supostamente disparou contra uma multidão que se reuniu perto de sua casa para protestar contra um ataque a uma mulher ocorrido na região de sua fazenda.
Mais de metade da produção de chá da Índia vem de 800 propriedades rurais em Assam. Nos últimos anos, foram registrados no Estado vários ataques contra fazendeiros e administradores dessas fazendas.
Na Índia, o chá passou a ser consumido em larga escala a partir de 1800
Na Índia, o chá passou a ser consumido em larga escala a partir de 1800
As disputas na região datam da década de 1830, quando a Companhia das Índias Orientais inglesa tornou-se preocupada com o monopólio chinês do chá, que constituía a maior parte do seu comércio e dava suporte ao enorme consumo de chá na Grã-Bretanha, aproximadamente uma libra (cerca de meio quilo) por pessoa por ano. Mais de 90% do chá consumido na Grã-Bretanha ainda era de origem chinesa em 1870, mas em 1900, esta porcentagem havia caído para 10%, em grande parte substituído pelo chá crescido na Índia (50%) e Ceilão (33%).
O consumo do chá na própria Índia era pequeno até que a companhia inglesa Indian Tea Association passou a encorajar os trabalhadores, no início do século XX, a consumir a infusão. A promoção oficial do chá era como servido à moda inglesa, com pequenas quantidades de leite e açúcar. A Indian Tea Association inicialmente não aprovava a tendência dos vendedores independentes de adicionar especiarias e aumentar grandemente as proporções de leite e açúcar, assim reduzindo seu uso (e portanto a compra) de folhas de chá por volume líquido.
Entretanto, o masala chai na sua forma atual estabeleceu-se firmemente como uma bebida popular, não apenas sobrevivendo ao Raj Britânico mas espalhando-se além do sul da Ásia para o resto do mundo, o que ampliou o domínio de apenas alguns plantadores sobre a região de Assam e o tratamento injusto dispensado aos milhares de trabalhadores que vivem do plantio da erva.  
correiodobrasil

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